Revista Veja, preconceito e internet…
A essa altura, não existe nenhum ser vivente no mundo virtual que já não saiba do desastre que foi o texto “Gays, Espinafre e Cabras”, publicado na revista Veja e escrito por J. R. Guzzo. Não vou falar aqui dos absurdos escritos nele porque tantas pessoas já fizeram isso (e tão bem feito) que a essa altura não há muito o que se possa acrescentar. O que me resta, ou na verdade me choca, é a constatação de que vivemos em um país onde um texto desses ainda consegue ser publicado em uma das revistas de maior circulação. Que versão bizarra é essa da realidade em que estou agora?
Será possível que ninguém, nenhum jornalista, nenhum editor, nenhum colega, ou até quem sabe um parente ou amigo… Nem mesmo uma única pessoa no meio de tantos indivíduos envolvidos com a revista pensou que publicar aquele texto seria uma péssima ideia? Fico assustado ao notar que ele conseguiu passar por todas as etapas necessárias para a sua publicação sem que tenha sido barrado. Isso significa que ou ninguém achou nada de errado nas coisas que foram ditas, ou não existia abertura para se falar a respeito. Em ambos os casos a questão que fica é: que tipo de ambiente existe ali, na redação dessa revista?
Mas se aquele texto não foi escrito por pura perversidade e ignorância, foi muita ingenuidade! Como não perceberam a proporção que poderia tomar? Exemplos pontuais e circunstanciais de preconceito ainda conseguem, com alguma sorte, passar despercebidos. Mas falar bobagem abertamente para toda a nação? Você vai acabar mexendo com a pessoa errada - ou certa, dependendo do seu ponto de vista. E olha que existem muitas delas por aí. Cada vez que um evento desses acontece, eu me surpreendo com o nível de ignorância que algumas pessoas ainda tem a respeito da influência da internet.
Vamos concordar: ela é, atualmente, o meio de comunicação mais importante do planeta. Não no sentido do alcance, já que a televisão e o rádio ainda conseguem atingir um público maior, mas por causa dos efeitos que ela causou na sociedade. Mesmo quem não usa a internet é indiretamente afetado por ela - seja pelas mudanças na economia, no comportamento das pessoas, no ensino, nas opiniões ou no que mais você possa pensar.
Para citar um exemplo pertinente, hoje conseguimos ouvir a “voz do público” como nunca foi possível antes. Há cerca de 10 anos, se algo revoltante acontecia, você talvez comentasse com seus amigos, mas só. Dificilmente você saberia o que as outras pessoas pensam do assunto, você não teria uma boa noção do que a “sociedade” pensa. Hoje, na geração dos memes e vídeos virais, nem preciso dizer que não é mais assim. As pessoas comentam nas matérias publicadas nos sites, debatem em fóruns, divulgam em listas de e-mail, postam em seus blogs, fazem vídeos para o Youtube e até mesmo expressam sua revolta nas redes sociais.
Sendo honesto eu já nem sei bem o que dizer, acho que esse post é mais uma catarse, vontade de expressar meu assombro com esse evento mais do que qualquer outra coisa. Não entendo como alguém pode pensar da forma que o Guzzo pensa. Não entendo como ele pode achar que a argumentação dele foi aceitável. Não entendo como a veja foi publicar esse texto. É o tipo de coisa que de tão absurda, não te dá nem vontade de responder, mas pela proporção que toma, você precisa. Então, ainda bem que já fizeram isso por mim, deixo o trabalho árduo para quem tem paciência.
Enquanto isso, eu fico aqui tentando pensar que tudo isso foi só um sonho louco que eu tive.
My perfect prince will hold my hand and show everyone our love…
I have to stop look at thoose gay pictures… cuz Im like going crazy… want a boyfriend to…
- Não importa o que pensem, curto pessoa do mesmo sexo, e sou feliz!.
By: Neri.
